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31 de outubro – Dia das Bruxas / Lua Azul

Atualizado: Abr 22



Élida Maria Santos Almada


Que vontade de brincar, de fazer “magia com as palavras”. Achei que o prazo era novembro, faltando pouco mais de uma hora, certifiquei-me que era outubro. Não, meu caro leitor, não estou escrevendo sob pressão, nem terminando um trabalho da faculdade. É só um momento para falar dessa experiência a partir da escrita. Como foi ou como está sendo estar nesse “isolamento”, nessa “pandemia” em companhia dos pandemônios internos.


Eu tinha que escrever, certeza que alguém ia me ler, eita presunção! Mas eu queria falar sobre a escrita mesmo, desse sonho, desse desejo de ser escritora que me acompanha desde os nove anos. Mas aqui, enquanto escrevo, percebo uma coisa: porque, isso acontece sabe? Você escreve e percebe, escreve e entende um pouco mais. Tropeça, se esquece, se engana, brinca de enganar os outros e até a si mesmo. Por fim se encanta com a própria palavra.


O que percebi, ou melhor, me lembrei, foi do desejo da escrita, ele, talvez, seja maior do que dizer querer ser escritor. Será? Você concorda comigo?


Nessa pandemia, quase tudo se potencializou, tiveram lá suas cotas de lentes de aumento. Para o bem e para o mal. A luz e a sombra estão berrando. Escrever, às vezes, é terapêutico, é sim, é o próprio caos se materializando. Mas veja, escrita é essa matéria. “E a matéria tão fina” como diz Caetano na música Cajuína. Escute e procure saber da história da música.


Não sei se quero que a palavra me leve a algum lugar, sinto que os significados das palavras, por exigência do caminho, pedem para ganhar novos significados ou não ter significado algum. Viver por viver. Outro dia, minha amiga Geovana me disse, em conversa em que falara com alguém sobre o sentido da vida, que é isso que é se sentir vivo. Perceber um gosto de morte e se dar conta que tudo está o tempo todo vívido.


Apesar de me referir no início à escrita como um desejo, não é bem de desejo o que queria focar na escrita de hoje. Mas lembrar a mim de brincar e de lembrar das palavras, das mensagens dos livros. Não com a obrigação de ver sentido em tudo ou achar o propósito da minha vida, mas deixar as narrativas serem. Tudo é narrativa.


Uma vez, quando criança, meu pai pediu que eu fizesse a cópia de um poema no caderno. Ali começou a minha narrativa e fui saber quase vinte anos depois. Naquele mesmo mês eu continuava fazendo cópias e um dia descobri que era capaz de imaginar, simplesmente um final diferente para um texto. A brincadeira, talvez, tenha ficado mais séria depois.

Minha eterna professora Fernanda me disse uma vez que a obra começa antes da obra. Pode parecer confuso ou engraçado. Mas é verdade e esse pensamento serve até para compreender as narrativas da educação. É só pensar que um estudante é uma pessoa que existe e tem uma história fora e antes da escola, e antes da história dele existiram muitas histórias.


Agora vou tentar um poema, ou o que gosto de chamar de narrativa poética, e deixo meu desejo, que tenhas um “gosto” na escrita, nas narrativas.



Olho no relógio os últimos minutos do dia das bruxas

Queria tentar a sorte com as palavras. Eu terei de ser a sorte

Criar a memória, criar o gosto, o anseio

Que vontade de me jogar no jardim nessa noite fria

Não peço sentido. No máximo um certo gozo

O livro, antes do livro

E antes da palavra? Que é que havia?

Porque sentimos simplesmente que o livro é bom e não porque nos disseram

Teorias guiam, mas nem sempre gozam em todo mundo.

Chega de negar então o desejo pelo livro, pelas palavras

Pelo que trazem em suas margens e nas bordas

E ficam na nossa cabeça, no nosso corpo

E é preciso falar, é preciso escrever e até sonhar

E tentar convencer alguém a fazer o mesmo.














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