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Os dias



Rafael Menezes dos Santos Muniz


Há os dias

Os chorados e os com risos. Os soados e corridos

Os escritos, os extintos. Os que levanto logo após ter caído

Há os que por nós, se possível, seriam os esquecidos

Tem uns fingidos

Os de mentiras, os doidos, e os doídos

Há aqueles amados

Saborosos, clareados

Os privilegiados, os formosos

Os bem estruturados, os tais dias acalantados

Os que, se dependessem do tempo, sequer tinham passado

São os resgatados em memórias nos dias ultrajados

Há os dias que há quem faça, há quem desfaça

Quem saiba ponderar riso e desgraça

Os que plantam, os que se enganam, os que colhem e os que arrancam

Os que desbravam, os que se acham os que se perdem, e os que se amam

Há de haver, há de ser, há de ter pelo que se viver

Se haverá? Jamais saberá.

O ser é, não será.

Há de saber as respostas ilusórias

Das suas dúvidas mais duvidosas

Há de existir em linhas e versos

Mentiras verdadeiras e amores diversos

Os que passam, os que ficam

Os que foram, e os que em mim habitam

Há os que rego, há os que carrego

Há os indigestos, os sem afeto

Há os que são simplesmente gestos

Há, também, os internos

Os secretos, e os eternos

Aos dias, suplico

Me deem choros e risos

Colhidos em jardins verdes e vivos

Aos amores, imploro, não fujas

És o endereço de onde moro, e tudo o que me formo.

Há de sobra, há de falta. Há de tudo, há de nada

Em todos os dias que vivo

Só não haverá de haver um dia não vivido

e um sentimento não sentido.



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